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Horácio Lopes A sua preocupação com a viabilidade da profissão de gestor é importante.
Para lhe dar o exemplo da economia existem engenheiros, juristas, pessoas sem licenciatura etc. a executar funções que pareciam destinadas apenas a economistas. Por isso a questão do monopólio da profissão a não ser em questões muito concretas é irrelevante. Se um presidente de uma companhia pede a um jurista que lhe faça uma avaliação económica de um projecto o risco é do presidente. O jurista pode sair-se bem ou um economista poderia fazer melhor. Poderia. O que não quer dizer que um dado jurista não tenha uma boa performance numa análise específica ou que em determinada altura não o faça como um bom economista. Podem ainda existir áreas de fronteira: a análise económica do direito nos Estados Unidos existem muitos juízes a fazê-lo. Em Portugal não se faz a análise económica do direito com alguns resultados devastadores que todos sentimos na pele.
Sou Mestre em Gestão do Desporto pela Universidade de Évora (PT) e Universidad de Extremadura (ES). Sou ainda Licenciado em Gestão e Formador Certificado. Como gestor sei que, embora sejamos conhecidos internacionalmente como inventores e legais proprietários do conceito desenrascanço, só devemos esperar como resultado a prazo do nosso trabalho, um conjunto de retornos que resulta da combinação adequada dos recursos que a ele afectamos. Verifico que a carreira de gestor desportivo não está em Portugal tão reconhecida como merece. Verifico que executam funções a nível de gestão desportiva um sem número de pessoas que só têm formação em desporto, a maioria das vezes como atletas, não como gestores e ainda menos na combinação das duas.
A APOGESD ao abrir o seu blogue presta o serviço público de alargar as oportunidades de debate sobre o desporto. Os benefícios desta iniciativa são maiores do que o investimento feito e repercutir-se-ão positivamente nos seus associados e noutros parceiros, desportivos e não-desportivos. Os sucessos recentes em várias modalidades devem ser promovidos e debatidos para valorizar os seus aspectos positivos e auscultar as dimensões menores ou as prejudiciais. Olhando, contudo, para a performance portuguesa na Europa constata-se que em muitos indicadores desportivos os resultados são menores do que os desejados e que o trabalho a realizar para alterar essas condições exigirá uma dedicação exemplar, programas de longo prazo e maior competitividade europeia. Há causas complexas por detrás da insuficiente performance portuguesa e conceitos que devem ser discutidos. A iniciativa da APOGESD é útil porque vai permitir o debate técnico e científico o único que suscita a compreensão dos fundamentos que sustentam o desenvolvimento e permite a melhoria europeia do nosso desporto. A minha intervenção irá valorizar a análise económica do desporto nas suas múltiplas componentes e vertentes. Começarei pelas questões mais simples e procurarei sustentar as minhas afirmações na teoria económica. A vocês caberá avaliar o grau de conseguimento deste propósito e do interesse para o desporto da análise económica sobre a produção e o consumo do desporto.